domingo, 28 de junho de 2009

olá, o meu nome é ... erg... não me recordo. Sou gémeos.



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ela olha em volta timidamente, sorri baixinho, como quem pede desculpa.
começa a despir-se.
sente os olhares tensos. outros nem conseguem olhar. alguns comentam baixinho.
já não está tímida, sente gozo na provocação. os seus gestos, antes patuscos, tornam-se agora provocadores, o olhar quase lânguido, sedento da reacção.
ficou nua, por fim.
está indiferente.
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Obrigada a todos por estarem aqui.

Comecei a ser gémeos - com efeito - há cerca de oito anos.

Não sei bem como aconteceu, talvez a influência externa, talvez uma força de espírito, talvez tenha tropeçado.

Desde essa altura, não consigo deixar de o ser. Também não tentei deixar, confesso.

Sou uma consumista geminiana (das compulsivas, que gastam tudo no primeiro dia e depois se lamentam do impulso atroz) e respiro geminianismo em cada poro (mais ou menos bem tratado, em função das bofetadas dos que levaram com a impulsividade no primeiro dia, ou com a falta de bens posterior ao gasto).

Todos os dias luto contra as mesmas influências externas que outrora me tentaram a sê-lo, contra uma fraqueza de espírito que às vezes me diminui, e agarro-me com força à minha outra para que não tropece (outras vezes tropeço nela e caio em cima de pessoas... pessoas!).

Eu sinto os olhares de repreensão deles a pesar em mim, quando passo por eles. Os outros. Não compreendem.

Há quem diga que se deve beber água. Sugerem hobbies. Comprimidos, terapias, spas, pedras, termas, drogas, sexo. Pedem calma. Já me falaram em psicanalistas.


O meu jejum pede-me doses extras de geminianismo.


Por favor, não me ajudem.


clap, clap



* não sabem que devem aplaudir mais forte...??? atirar pétalas??? lançar-lhe passadeiras vermelhas??? beijar-lhe a pele abandonada ao vazio do olhar??? trazer-lhe oiro???
ELA DESPIU-SE! BESTAS! VAZIOS! INGRATOS! AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH *



*
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apanha as roupas devagar.
não se vestiu.
segue pela sala, pelo meio deles. quer que sintam o seu cheiro quando passar.
olha fundo nos que não a conseguiram olhar, deseja que a desejem.
deixou cair algo, finge não dar conta. alguém apanha, chama-a, olha-a com desejo, quer possuí-la ali. agradece com desprezo e um soslaio a devolução.
sente nojo deles.
vai-se embora, com a sensação que ficou muito por dizer.
depois volta.
nem deu conta e... está vestida.

Presa nos pensamentos? Alguém o fez por ela? Distracção? Será que se tinha mesmo despido?

Entrou no primeiro café, pediu um malte, e contou a história a um desconhecido.
Riu como uma criança feliz e despreocupada.
E sentiu-se só no meio deles, dos olhares.
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