sábado, 11 de julho de 2009

o teu vazio viola-me.






- O Teu Vazio Arrefece-me. Entorpece-me. Enlouquece-me. -

o quarto é escuro. as paredes já foram brancas, em tempos. estão cheias de humidade, têm pintas pretas. há aranhas nos cantos que juntam ao tecto. há baratas.
a porta é de madeira, tem uma pequena arcada na entrada que faz um breve túnel, é toda castanha, a meio interrompida por quatro pequenas janelas cuja rara luz que dão apenas serve para anunciar a tua chegada, e tem um puxador dos antigos, cujo barulho perturbador funciona como uma campainha e uma passadeira vermelha. já foi bonita, decerto.
ao lado da porta está uma pequena cadeira de madeira, que usas para observar a minha dor, quando te sentes só e vens procurar-me.
a janela é das antigas, deve descobrir uma vista bonita, já não me lembro. agora está sempre fechada, com os estores corridos.
no meu lado esquerdo está uma mesinha-de-cabeceira, com um candeeiro com folhinhos cor-de-rosa. já deve ter sido bonito, agora é sujo e só serve para ele me humilhar mais. acende-o para que o veja, ele gosta que eu olhe para ele, gosta de olhar nos meus olhos e sentir a minha impotência face ao seu poder.


- O Teu Vazio Ecoa-me. Escoa-me. Magoa-me. -


passo os dias com medo do crshh-click que anuncia a tua chegada. não consigo dormir. faço jogos mentais durante todo o dia para tentar esquecer o terror que me corre nas veias. quando é que vais chegar outra vez? de que forma me vais matar desta vez? crshh-click, esse som que me ensurdece - chegas tu e contigo as minhas lágrimas. brotam compulsivamente, como trigo. sei que isso só te dá ainda mais prazer.


- O Teu Vazio Dói-me. Mói-me. Destrói-me. -


entras com um sorriso de satisfação, vais manjar.

o meu corpo envergonhado, descoberto, com frio, sujo.
as cordas magoam-me tanto as extremidades. o meu tornozelo direito sangra há dias, tu sabes, gostas de me ver sangrar.

ficas um bom bocado a olhar-me, sempre, gostas de me ver chorar.
avanças para mim como um animal em fúria.
rasgas-me com violência.
grito de dor, o lençol ensopado com o meu choro e o meu sangue.


- estás a gostar, eu sei, sua cabra. diz que gostas!

- não! por favor pára! eu nunca te fiz mal!

- tu gostas sua puta, tu gostas! és igual às outras todas! tu mereces isto tudo!


choro, choro. desisto de debater-me. choro, choro.

acabaste, por fim, por hoje. limpas-te e atiras a toalha suja p´ra minha cara.

pedes-me desculpa, dizes que é para o meu bem, que gostas de mim, mas que não consegues evitar.
choras também. sei que sofres também.
compreendo o teu sofrimento, digo-te em soluços (compreendo mesmo, lembro-me quando éramos felizes)... deixa-me tentar ajudar-te... deixa-me sair daqui... quem sabe ainda te amo também... quem sabe conseguimos... quem sabe...

até amanhã.

mas eu sei que não vais voltar amanhã.
vais voltar só quando eu pensar que não vens mais, e que me vais deixar ali: numa casa que já foi bonita e agora é assustadora, amarrada, a sangrar, esfomeada, suja, exausta, fraca... a morrer sozinha com as baratas.
começas a convencer-me que realmente o mereço.

crshh-click, acabou por hoje.

choro, choro. contorço-me com dores, não me consigo mexer. choro, choro.

sinto-me só, quando vais. porquê eu?


- O Teu Vazio Esmaga-me. Penetra-me. Viola-me. Mata-me. -


será que quando eu, por fim, morrer, vais chorar?






"
"A mágoa altera as estações e as horas de repouso, fazendo da noite dia e do dia noite." - William Shakespeare
"

domingo, 5 de julho de 2009

estória III





como é possivel que não te lembres da estória... era tão bonito.

sim, sei, mas eu estava a escrever sozinho há tanto tempo que... preferi não me meter nesta estória a cem por cento e continuei a escrever sozinho, mas sabes, nem tenho produzido, porque não me tem apetecido. olha, continuo a não querer escrever, escreves tu?

vai à merda. podíamos estar ricos e felizes, e tudo o que temos é o pensar que tivemos uma grande ideia e que podiamos estar ricos e felizes. odeio-te, a ti, aos teus medos estúpidos, à tua inércia irritante.

eu também te odeio a ti, à tua estúpida segurança e à tua energia constante, porque me fizeste pensar que a ideia era realmente boa... não sabes nada da vida. quer dizer, eu não te odeio... e não quero que me odeies... vamos fazer de conta que não tivemos a ideia e tudo vai correr bem... ou então podemos tentar continuá-la mas... continuo a achar que se houver principe, ele vai vai sofrer e a princesa vai sofrer, é melhor mais simples.

mas tu não percebes que eu já não quero escrever nada????

domingo, 28 de junho de 2009

nada.

olá, o meu nome é ... erg... não me recordo. Sou gémeos.



*
-
ela olha em volta timidamente, sorri baixinho, como quem pede desculpa.
começa a despir-se.
sente os olhares tensos. outros nem conseguem olhar. alguns comentam baixinho.
já não está tímida, sente gozo na provocação. os seus gestos, antes patuscos, tornam-se agora provocadores, o olhar quase lânguido, sedento da reacção.
ficou nua, por fim.
está indiferente.
-
*


Obrigada a todos por estarem aqui.

Comecei a ser gémeos - com efeito - há cerca de oito anos.

Não sei bem como aconteceu, talvez a influência externa, talvez uma força de espírito, talvez tenha tropeçado.

Desde essa altura, não consigo deixar de o ser. Também não tentei deixar, confesso.

Sou uma consumista geminiana (das compulsivas, que gastam tudo no primeiro dia e depois se lamentam do impulso atroz) e respiro geminianismo em cada poro (mais ou menos bem tratado, em função das bofetadas dos que levaram com a impulsividade no primeiro dia, ou com a falta de bens posterior ao gasto).

Todos os dias luto contra as mesmas influências externas que outrora me tentaram a sê-lo, contra uma fraqueza de espírito que às vezes me diminui, e agarro-me com força à minha outra para que não tropece (outras vezes tropeço nela e caio em cima de pessoas... pessoas!).

Eu sinto os olhares de repreensão deles a pesar em mim, quando passo por eles. Os outros. Não compreendem.

Há quem diga que se deve beber água. Sugerem hobbies. Comprimidos, terapias, spas, pedras, termas, drogas, sexo. Pedem calma. Já me falaram em psicanalistas.


O meu jejum pede-me doses extras de geminianismo.


Por favor, não me ajudem.


clap, clap



* não sabem que devem aplaudir mais forte...??? atirar pétalas??? lançar-lhe passadeiras vermelhas??? beijar-lhe a pele abandonada ao vazio do olhar??? trazer-lhe oiro???
ELA DESPIU-SE! BESTAS! VAZIOS! INGRATOS! AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH *



*
-
apanha as roupas devagar.
não se vestiu.
segue pela sala, pelo meio deles. quer que sintam o seu cheiro quando passar.
olha fundo nos que não a conseguiram olhar, deseja que a desejem.
deixou cair algo, finge não dar conta. alguém apanha, chama-a, olha-a com desejo, quer possuí-la ali. agradece com desprezo e um soslaio a devolução.
sente nojo deles.
vai-se embora, com a sensação que ficou muito por dizer.
depois volta.
nem deu conta e... está vestida.

Presa nos pensamentos? Alguém o fez por ela? Distracção? Será que se tinha mesmo despido?

Entrou no primeiro café, pediu um malte, e contou a história a um desconhecido.
Riu como uma criança feliz e despreocupada.
E sentiu-se só no meio deles, dos olhares.
-
*



TPA - tensão pré aniversário




A minha TPA permite-me, com grande justa causa, deixar uma ode ao meu quarto de século.

"[Children:]So long, farewell, auf Wiedersehen, good night
[Marta:]I hate to go and leave this pretty sight"

É este o último registo escrito que constará no intervalo 17-06-1983 a 16-06-2009:
- ... -

E amanhã tudo será diferente, ´cause...: here I go!

Fuck...



E se eu não morrer agora?

Agora mesmo, enquanto escrevo. Agora mesmo, enquanto sou lida.


Parava o mundo, parava o tempo.

Parava a vida como a conhecemos e teria que ser criada uma nova, porque eu não sei como se faz isto de... simplesmente respirar nesta.


Se eu não morrer agora, é com o respirar que me vou entreter até ao próximo momento em que não-morrer. Respirar.


E eu desejo.

E eu viajo.


E eu desejo viajar.


Gosto que me peguem ao colo - cabeça caída, braços abertos, abandonada para trás à consolação do cinzento azulado, e das pessoas que ficam esquisitas viradas ao contrário (!) - e comecem a girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar girar até que eu fique muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito tonta, e a rir às gargalhadas, e sem conseguir distinguir céu-terra-mar-cinzento-azul-árvores-chão-pessoas-pássaros-e-são-tudo-imagens-desfocadas-e-engraçadas.


E aí é tão bom.


Se me encontrarem por lá caída, deixem-me estar, não me interrompam.

Deixem-me não-morrer ofegante e tonta, porque sabe tão bem.

estória II



- Vês? não quiseste o principe, não houve ninguém que matasse o dragão!

- Qual principe?

- ? - Estás bem?... o da estória!!!

- huh?



- ! -

estória




Vamos escrever uma estória?? Sim!!!!

Uma estória das bonitas e especiais para fazer os outros sonhar??? Sim!!!

Uma estória para ficar impressa em papel bonito e com uma fitinha à volta??? Sim, mas olha, escreves tu, que me doem os dedos, já escrevi muito! Sim, pode ser!

Com Princesas e Principes e Castelos e Dragões?? Com tudo menos Principes.

Oh, então e com quem é que a princesa casa? Mas porque é que ela tem que casar??

Então... porque é bonito...! Então, mas se ela andar só pelos prados, com o seu vestido rosa-claro e a pele branquinha, também se faz daí uma linda estória!

Sim, mas... e o brilho nos olhos quando o principe a encontrar? Um dia o principe vai morrer e o brilho depois é das lágrimas.

Mas não tem que ser assim! eles podem ser felizes e morrer ao mesmo tempo! Não, porque em nenhuma das estórias que que escrevi era assim. é melhor deixarmos sem o principe, e assim a princesa nunca vai sofrer.Mas também nunca vai ser feliz! Mas está tranquila.

Mas eu quero tanto!!!... Mas eu não.


Se calhar devíamos desistir da estória... Não, devíamos começar tudo de novo, a ideia inicial era tão boa!... Sim, concordo... Então, vamos lá...


Não tenho força para escrever, entendes?... Não.

Eu estou a tentar, não vês como procuro as teclas? Mas não flui.

Pois, pois não, mas olha como eu estou a tentar! Não chega.

Mas eu escrevo mais que tu! Mas eu disse-te desde o início que não queria escrever.

Então porque queres que eu escreva??? Eu não quero nada.


Então e se tentarmos da forma convencional? Papel e caneta?

o fantástico mundo do solteirão dos trinta-e-poucos.




HEY, gajos dos TRINTA E POUCOS... ESTA É PARA VOCÊS, não vale a pena fingir que não viram, como habitualmente fazem, e tentar passar pelo meio da chuva a assobiar baixinho.


o que é que se passa com vocês pah?????


o que é que comeram ao pequeno-almoço????


GET A FUCKING HARMONY IN YOUR FUCKING LIFE!!!!




oh querida, mas então, que aconteceu??
não sei! ele saiu de casa, de manhã fizemos amor, à tarde quando chegou do trabalho disse-me que já não gostava de mim e eu tive que sair da nossa casa!
mas... espera, calma... vamos tentar perceber isto! que idade é que ele tem mesmo?
34
ah!



então miga, que foi?
o meu namorado... não percebo... já não gosta de mim... prefere estar com os amigos em vez de mim... se calhar é melhor procurar casa... ele já não me quer...
mas... espera, calma... vamos tentar perceber isto! que idade é que ele tem mesmo?
32
ah!



olha quem é ela! eish, que cara!!!
epah é o Z, tá sempre mal disposto, sempre com problemas no trabalho, quando está comigo só desabafa dos problemas dele, está sempre irritado e sem-disposição para tudo e mais alguma coisa, e quando lhe digo que quero passar mais tempo de qualidade com ele, diz que o pressiono... acho que a nossa relação assim não vai continuar...
mas... espera, calma... vamos tentar perceber isto! que idade é que ele tem mesmo?
33
ah!



oi linda!!! então, como vai isso??
olha, não muito bem... lembras-te daquele tipo com quem me envolvi? pois, estava tudo muito bem, de um dia para o outro desapareceu sem deixar rasto... não me atende o telefone, não nada. a última coisa que me disse é que não estava preparado para isto, e quando eu lhe perguntei, isto o quê?, começou a discutir comigo e a partir daí nunca mais o vi...
mas... espera, calma... vamos tentar perceber isto! que idade é que ele tem mesmo?
34
ah!



olá queridita, como tás? tas com uma cara...
é o X, não percebo... diz que eu sou um pico positivo na vida dele, que não consegue lidar com isso... que é mais fácil excluir-me a mim, que a tudo o resto que já está habituado...
mas... espera, calma... vamos tentar perceber isto! que idade é que ele tem mesmo?
33
ah!



olhá jeitosa!
epah nem me digas nada...
então?
lembras-te daquele tipo de quem te falei, que conheci? grande quimica e tal... epah o gajo... não sei pah, não consigo perceber nada das atitudes dele, eu só queria estar bem com ele...
espera miga, nem continues, que idade é que tem a fera?
3oepoucos, não sei bem.
ah! pois!



pois.


acreditem em mim, ficaria uma vida a dar exemplos na matéria, até porque nada disto é pessoal, se eu fosse então entrar no domínio do que me diz respeito, todos teriam que comprar óculos para aguentar!


esta é para todas as minhas meninas que, de alguma forma como eu, se deixam encantar pelo fantástico mundo dos mal resolvidos solteiros de trinta-e-poucos.


O QUE É QUE COMERAM AO PEQUENO-ALMOÇO ????



Nós não temos culpa das vossas frustrações pah...
nem das vossas indecisões ...
nem da vossa vontade-de-fazerem-tudo-porque-estão-a-ficar-velhos-e-não-aproveitaram-a-vida-e-agora-foda-se-já-tenho-quase-quarenta-anos...
nem do que já vos aconteceu...
nem do que vocês idealizaram que deveria estar a acontecer agora e... lamento... HELLO! se querem argumentos... sigam essa área! Nesta so-called life há imprevistos... a malta tropeça.
Nós não temos culpa!


Os santos não gostaram de mim, porque eu até percebo demasiado bem as vossas atitudes egoístas e non-sense da treta.
Não consigo é agir em conformidade, confesso.
Mas que as percebo... percebo! A minha racionalidade analítica todos os dias me eleva a novos descobrimentos sobre essa fantástica área que é o solteirão dos trinta-e-poucos.


E depois as mulheres é que são complicadas...

nós só temos TPM...!!! TPM (tensão pré-menstrual..., senão ainda ficavam os solteirões de trinta-e-poucos a pensar que é alguma sigla criada particularmente para os atingir e tornar a vida deles medíocre e sem cor!, porque, aliás, é esse o propósito de todas as mulheres que por eles se agradam) é uma vez por mês!!!

Agora ... a TPQ (tensão pré-quarenta) jasus...



Deixem-me dar-vos um conselho, se olharem para um espelho e estiverem sozinhos, é só a vossa imagem que vai aparecer. Mas se estiver alguém ao pé de vocês, acreditem em mim meus amores... vão aparecer duas pessoas, por mais que metam a cortina do duche a tapar.



Portanto... porque é que não se deixam de merdas e vão mas é tomar banho juntos???








lyrics time!


Esta é das complicadas, chama-se sra do monte, é de um tal senhor que dá pelo nome de Norberto Lobo

- não sei se já vos tinha falado nele... -

e... é... perfeita.



(Se a perfeição existe, está nesta letra. Se existe uma forma de explicar a minha pessoa, está nesta música. Lembro-me de mil quatrocentas e cinquenta e duas interpretações diferentes assim de repente, e sem qualquer efeito redutor deixo-vos apenas uma)


Como não consegui a letra exacta da coisa, deixo-vos aqui o que eu ouço:





" hoje acordei bem disposto, levantei-me, olhei pela janela e acendi um cigarro - a vida estava bonita, assim, vestida de azul amarelado. iam às compras, ali, que à da Joana é mais barato oh vizinha!
fumo e sorrio sozinho com a simplicidade gratuita que se me entra pela casa.


Boto a cabeça para trás e digo para mim, vais libertar o pensamento e aproveitar a calmaria da estranha boa disposição matinal.
e olho para cima de mim.
costuma haver muita coisa interessante à minha volta quando levanto a cabeça fora do limite do conforto.
e saem-se-me os pensamentos vagos.
à medida que o céu deixa de ser azul e amarelado, e o cigarro está quase no filtro, começam a tomar forma, a existir e a rasgar.


E aparece o ontem.


- arrepio-me sempre ao segundo 57, como se de uma história genuína de amor se tratasse, daquelas: em que genuinamente se sonha com o final feliz, em que genuinamente sorrimos aparvalhadamente, em que genuinamente se nos semi-cerram os olhos cujo brilho genuíno entorpece, e genuinamente sentimos o que genuinamente nos vai na alma que evade o genuino -


O ontem dura até aos 2:46. é o timing perfeito para deixar a marca, e se colar ao agora e ao depois, como se de ventosa indissociável se tratasse. já fez a sua egoísta aparição, e agora tudo o resto não interessa. só ele com os seus traumas, as suas tempestades e... a dureza injusta do que já passou.
só ele, só ele interessa, só ele guia, só ele contorna - o resto não faria sentido sem ele. e por mais perfeito que seja o seguinte, não deixa de ser uma continuação.


E depois... ei-la! a euforia da novidade!
E como tudo o que é bom, acaba rápido, para que não nos entusiasmemos e achemos que é sempre assim.


E depois ... 3:33... numa capicua perfeita vem a perfeição da esperança.
Vem O Depois.
Embala-me.
Diz-me baixinho, ao ouvido, que sim! que é possível! que podemos ser genuínos!
Salta-se-me logo o primeiro sorriso genuíno, e logo a seguir o rubor do que se me escapou: ai! - mas ele diz-me: pschiu, não cores, é uma perda de tempo... enquanto estás com medo, não estás a ser feliz.
Sorri-me e faz-me acreditar que é possivel superar os medos! que é possível levantar outra vez as casas que o vento derrubou! e dá-me vontade de pegar numa enxada e... começar já!



Olho à volta instintivamente para ver se há alguma a jeito, e cai-se-me automaticamente a cabeça para baixo, que já me doía o pescoço e nem dava conta.
Afinal a vizinha Maria e a outra (nunca sei o nome dela) ainda ali estavam, não tinha ainda ido à da Joana, ficaram a falar da do segundo esquerdo, continuam a transpirar simplicidade.

Já terminei o cigarro há séculos e nem dei conta.

Vou acender outro. (quero ouvir outra vez o ´57 e o 3´17)"




5:31 de viagem.
Uma montanha-russa de emoções que esta sacana desta música me provoca.
Seguramente que se, daqui a cinco minutos começasse a transbordá-la pelas teclas novamente, sairia diferente.
Cada vez que a ouço a sinto de forma diferente, e ao mesmo tempo, numa brutidade emocional tempestuosa e arrepiante.


Norberto Lobo... Magia!
Sra. do Monte.








>